domingo, 8 de setembro de 2013

O "problema" da Medicina

Exemplo de sessão tutorial


           Em meu primeiro post quero falar sobre algo que muitos dos pretendentes a estudantes de medicina desconhecem, as diferenças entre métodos de ensino.

           Antes de mais nada, deixem-me me apresentar, me chamo Álisson (não diga) e curso o 2º período de Medicina no Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM). Fiz um ano de cursinho preparatório, prestei vestibular em apenas duas federais (UFU e UFV) e algumas particulares da mesma região. Considero-me com sorte por ter ingressado no segundo ano de tentativas (contando com o 3º do ensino médio), já que é comum vestibulandos que passam três ou quatro anos em cursinhos.

           Pois bem, ao entrar no curso de Medicina do UNIPAM eu já sabia que o método de ensino não era tradicional, havia um ano que a faculdade tinha implantado o método PBL (problem based learning ou aprendizagem baseada em problemas). O PBL uma entre outras metodologias de aprendizagem ativas, isso significa que o aluno tem papel ativo na busca pelo conhecimento e não o professor.

           Na década de 1970 dois países, Canadá e Holanda, inovaram com o aparecimento desse novo método de ensino, que veio para substituir o modelo flexneriano (tradicional). No currículo tradicional os alunos tem aulas normais, como em toda escola comum, e o professor é responsável por transmitir aos alunos todo o conhecimento que julgar necessário para o entendimento daquela matéria. Isso resulta numa sobrecarga de informação nos quatro primeiros anos do curso (visto que os dois últimos são de internato), com sobrecarga do cognitivo e pulverização do conhecimento. Além disso, entre as falhas apontadas no modelo tradicional estão a falta de integração entre as disciplinas e a excessiva autonomia do docente, que não tem limites para incorporar conteúdo à sua disciplina. O PBL surgiu para suprir as necessidades deste modelo.

           Um dos fundamentos principais do método é que deve-se ensinar o aluno a aprender, permitindo que ele busque o conhecimento nos inúmeros meios de difusão do conhecimento hoje disponíveis e que aprenda a utilizar e a pesquisar nesses meios. Sendo assim o currículo no PBL é formado analisando as habilidade que o aluno deverá dominar ao fim do curso, esse conjunto de informações constituem os temas de estudo. Estes temas são agrupados em módulos temáticos por afinidades e cada tema é transformado em um problema (parte teórica). Cada um desses problemas será discutido semanalmente por grupos de cerca de 10 alunos (chamados grupos tutoriais), que deverão definir objetivos de estudo. Cada grupo tutorial é orientado por um tutor, que não é professor, e está presente apenas para que os estudantes atinjam os objetivos corretos. Após definidos os objetivos os alunos têm cerca de três dias para estudar o conteúdo e retornar para discutir tudo o que foi estudado. As faculdades devem oferecer todo o material para que o estudante possa estudar por conta própria, incluindo livros e acesso a revistas científicas, seja assinando ou por bancos de dados na internet. O conteúdo prático deve ser abordado em laboratórios e outros locais onde se possa desempenhar o treinamento de tais habilidades.

           Aliado ao aprendizado auto dirigido do aluno são oferecidas eventualmente (normalmente duas vezes por semana) conferências onde o tema semanal é abordado por um profissional, não sendo uma aula e sim um direcionador de conhecimento. Além disso são oferecidas consultorias onde os alunos podem tirar suas dúvidas com profissionais.

           Bem, a base do PBL é essa. Na verdade é difícil explicar o funcionamento do método sem ver de perto, antes de ingressar na faculdade eu já havia pesquisado bastante e ainda assim me surpreendi. O que a maioria deve querer saber é: qual método é melhor? Não há método melhor ou pior, ótimas faculdades, como Harvard, utilizam o PBL e ótimas faculdades, como USP, utilizam o tradicional. Talvez você se adeque melhor a um que outro, posso adiantar que, se você estuda bastante em casa e se sente bem com isso o PBL pode ser muito bom para você, mas se assim como eu você prestava mais atenção às aulas e não estudava muito conteúdo a parte, provavelmente vai ter que fazer uma adaptação, já que o aprendizado é praticamente individual.


           Desculpem-me pelo texto imenso, tendo restado dúvidas perguntem nos comentários ou enviem mensagem pelo Facebook. Deixo ainda um material da UEL sobre o PBL, uma das faculdades pioneiras do método no Brasil:

Até a próxima.
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