A morte leva a
todos, sem distinção econômica, de beleza ou inteligência, é justa, nem
mesmo nos distingue dos outros animais. A diferença é que junto com
nossa racionalidade há grande sofrimento. A morte não se leva em
consideração seus planos de vida, suas realizações ainda não feitas,
pessoas importantes para alguém ou pessoas que delas dependem. Muitos
médicos a veem como símbolo de sua impotência, e a família também o
culpa - isso se deve ao nosso pensamento de que a morte é antinatural.
Perdendo pacientes é que nos damos conta de que não somos absolutos e
somos finitos - olhar para a morte do outro também é olhar para a nossa
própria morte ou para a dos nossos próximos, por isso assusta tanto.
A morte amedronta a muitos. Talvez esse medo venha pelo desconhecido, de ser apagado eternamente da existência, ou de viver eternamente em outro plano, sendo castigado pelos erros cometidos durante toda a vida. Mas o fato é que na maioria das vezes quem se castiga é quem fica e se arrepende mais do não vivido que do que foi vivido.
A morte amedronta a muitos. Talvez esse medo venha pelo desconhecido, de ser apagado eternamente da existência, ou de viver eternamente em outro plano, sendo castigado pelos erros cometidos durante toda a vida. Mas o fato é que na maioria das vezes quem se castiga é quem fica e se arrepende mais do não vivido que do que foi vivido.
A
existência por si só é carregada de dores, de arrependimentos, de
frustrações e como dói ver alguém que gostamos deixar de existir!
É
difícil, mas tanto como médicos, quanto como cidadãos devemos
reconhecer que todos temos o direito de partir, e, quando isto é
inevitável devemos aprender a dar o suporte necessário para que essa
pessoa acrescente vida aos seus dias, além de dar apoio aos que ficam.
Dar "a notícia" adequadamente à família é questão de sensibilidade, de
empatia e fornecer conforto e humanidade.
Não
devemos esquecer, que além da morte, a medicina celebra a vida. No
seminário médico percebi sobre outra ótica que a morte é renovação, e
ocorre a todo momento em nós e na natureza, preservando a beleza do
mundo. É também para muitos a um alívio para o sofrimento do corpo e da
alma (não deixemos de lembrar das pessoas que infelizmente tiram suas
próprias vidas, e claro daquelas que a morte vem passivamente para
aliviar o sofrimento).
Percebi
que o que mais me dói não é a minha própria morte, é o medo do
sofrimento e é o morrer de quem me cerca. E quanto aos pacientes espero
fazer tudo o que posso, e quando não poder fazer mais nada, suspender
minha "mediquez" e oferecer ao outro aquilo que me é mais precioso o meu
tempo e afeto, meu lado humano.
De
uma coisa eu sei, tenho que aceitar que um dia até eu me vou. Então eu
quero morrer, mas com sentido, como muitos anos acrescentados a minha
vida, deixando marcas nas vidas das pessoas que por mim passaram. Que
seja leve e que eu deixe lágrimas (de saudade) e continue viva na mente
de alguém.


